O bruxismo costuma ser sinal de outra coisa

O consenso internacional de especialistas trata o bruxismo como um comportamento, não como uma doença: na maior parte das vezes, ele é sintoma de algo que acontece com a pessoa, ou efeito colateral de algo que ela usa.

Os fatores que a pesquisa encontra associados ao bruxismo:

  • Ansiedade e estresse. Pessoas sob estresse relatam bruxismo com mais frequência.
  • Sono ruim. Quem dorme mal também relata mais bruxismo. Qual dos dois vem primeiro, a ciência ainda não sabe.
  • Alguns medicamentos. Certos antidepressivos e remédios para TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) trazem o bruxismo na bula — a lista está no texto sobre remédios que podem causar bruxismo, e nenhum deles se suspende por conta própria.
  • Álcool, cigarro, excesso de cafeína e drogas. Também estão associados.

Há ainda a fibromialgia, que costuma andar junto com a dor na articulação da mandíbula, a ATM; com o bruxismo, a relação é mais fraca, e a evidência ainda é pequena. Em nenhum dos casos os estudos mostram que uma condição cause a outra. Para quem convive com fibromialgia, o exame da mordida e da musculatura entra no cuidado, junto com o acompanhamento médico.

Dormindo ou acordado

O bruxismo noturno é o mais conhecido. No sono não há controle nenhum sobre a força, e o ranger costuma ser descoberto por quem dorme ao lado ou pelo desgaste que o dentista aponta.

Há também quem aperte os dentes acordado — no trânsito, no computador, numa conversa tensa. Nesse caso, ainda existe alguma consciência da força, e é ela que se treina.

O treino usa lembretes no celular, em horários variados do dia. A cada aviso, confira: os dentes estão encostados? A mandíbula está tensa? Se estiverem, separe os dentes e solte a mandíbula.

A pesquisa sobre o método ainda é pequena, mas quem se monitora relata apertar menos.

O que ajuda no dia a dia

Tensão que não encontra saída durante o dia costuma encontrar à noite, na musculatura da mandíbula. Por isso, parte do controle acontece longe da cadeira do dentista:

  • Exercício físico regular. Recomendado pelas diretrizes internacionais de sono, é também um caminho para lidar com a ansiedade.
  • Atenção à ansiedade. Se ela tem uma causa identificável, cuidar dela, com ajuda profissional quando for o caso, faz parte do controle.
  • Sono regular. As diretrizes de sono recomendam, para adultos, 7 horas ou mais por noite, e orientam:
    • deitar e acordar no mesmo horário, inclusive no fim de semana;
    • quarto escuro, silencioso e fresco;
    • telas desligadas de 30 minutos a 1 hora antes de deitar.

A evidência de que essas medidas reduzem o bruxismo ainda é fraca, mas elas fazem bem por si mesmas e não têm efeito colateral.

Bruxismo tem cura?

Não. Tem controle.

Como costuma ser sintoma, o bruxismo não desaparece com a placa. O que se controla é o dano: esmalte desgastado, trincas, restaurações e coroas cerâmicas que soltam ou quebram, dor na musculatura e na articulação.

Controlar é juntar dois cuidados:

  • Proteger os dentes. A placa rígida feita sob medida recebe a força no lugar deles. Ela não faz você parar de ranger; muda onde a força é descarregada.
  • Acompanhar. A placa gasta, e o desgaste dela mostra onde a força se concentra.

Onde a placa entra

Na Casa Grimaldi, a placa começa pelo exame da mordida no escaneamento intraoral, é desenhada no computador, impressa em 3D na própria clínica e ajustada na sua boca. O arquivo digital fica guardado: se a placa quebrar ou gastar, é reimpressa a partir dele, sem nova moldagem.

Quando vale procurar avaliação

Acordar com a mandíbula cansada, dor de cabeça que começa nas têmporas, dentes que parecem mais curtos, restaurações que quebram sem explicação. Nenhum desses sinais fecha diagnóstico sozinho, mas todos justificam um exame — de preferência antes de o desgaste avançar, porque esmalte perdido não volta.

Perguntas frequentes

Bruxismo e ATM são a mesma coisa?

Não. O bruxismo é a atividade de ranger ou apertar os dentes; a ATM é a articulação que liga a mandíbula ao crânio, e quando ela ou os músculos que a movem passam a doer, estalar ou travar, o quadro se chama disfunção temporomandibular, a DTM. Os dois andam juntos com frequência, mas um não é automaticamente a causa do outro. Só o exame separa um do outro.

Placa de farmácia ou protetor pronto resolve o bruxismo?

Não é indicado sem exame. A placa pronta é feita para uma mordida média, não para a sua, e muda a forma como os dentes se encontram sem que ninguém acompanhe o efeito sobre a articulação e os músculos. A placa feita sob medida, rígida, vem com diagnóstico antes e acompanhamento depois.

Quanto custa uma placa de bruxismo?

Depende do caso, porque a placa é a parte visível de um trabalho maior: exame da mordida, da musculatura e da articulação, escaneamento intraoral, desenho digital, impressão na clínica, ajuste e acompanhamento. O investimento é apresentado por escrito depois da avaliação. O arquivo digital fica guardado, e uma placa nova sai dele, sem nova moldagem.

Criança que range os dentes dormindo tem bruxismo?

Só a avaliação diz se é bruxismo e se pede tratamento. Ranger os dentes é comum na infância e, na maior parte das vezes, é passageiro: acompanha a troca dos dentes e o crescimento. Quando o desgaste é severo, investiga-se a causa antes de qualquer placa, como a necessidade de alargar o céu da boca ou um problema respiratório. A avaliação é com a especialista em odontopediatria da Casa Grimaldi.