Sim, quase sempre há algum preparo, para definir o espaço da cerâmica e preservar a saúde da gengiva. O que muda de um dente para outro é quanto — e hoje, na maior parte dos casos que atendemos, a lente devolve mais do que tira.

Quanto se desgasta depende do ponto de partida

Quando falta volume, a lente soma: devolve forma e volume, com pouco preparo. É o caso de:

  • dentes envelhecidos: o tempo já fez o desgaste, pouco a pouco, ao longo de anos;
  • dentes de forma e volume menores, como o lateral conoide (pequeno, em forma de cone), e espaços entre os dentes — onde costumam estar os raros casos sem preparo nenhum;
  • esmalte perdido por erosão ou corrosão, em qualquer idade.

Lente sem preparo nenhum existe, mas é tão rara que muitos dentistas passam a carreira inteira sem um caso assim.

Quando o dente é escurecido ou manchado por dentro, o preparo é maior — ou a cor é tratada antes. Cerâmica fina não esconde um fundo escuro: para cobrir a cor, ela precisa de espessura, e esse espaço sai do próprio dente. É o caso de:

  • manchas do antibiótico tetraciclina;
  • escurecimento depois de um tratamento de canal ou de um trauma (uma pancada);
  • pigmentação pelo amálgama (a obturação cinza) ou por um pino metálico;
  • fluorose severa, hipomineralização molar-incisivo e, a depender do grau, amelogênese imperfeita — alterações na formação do esmalte.

A amelogênese imperfeita altera também a forma e a resistência do esmalte.

Quando o dente está projetado para fora, também: alinhá-lo com a lente exige desgaste maior, qualquer que seja a cor.

Pouco ou muito, o esmalte removido não volta — decisão em sentido único, que merece ser dita antes, não descoberta depois. E o preparo procura ficar no esmalte, porque a lente colada nele é o cenário mais previsível.

O que acontece com o dente por baixo

A faceta recobre a face visível do dente, cimentada por adesão. O dente vivo não é desvitalizado para receber a faceta. A junta entre os dois, a margem, pede higiene atenta e acompanhamento periódico.

A lente é removível. A broca não distingue cerâmica de cimento nem de esmalte: desgasta os três, sem separar onde a lente termina e o dente começa. O laser de érbio age no cimento e, nos estudos de laboratório, o esmalte sob a faceta ficou íntegro. Mas o esmalte removido no preparo não volta.

O que se examina antes de chegar à faceta

Um princípio orienta o trabalho aqui: não troque o biológico pelo biocompatível. A cerâmica é biocompatível, e muito boa, mas não é dente. Preservar vem primeiro, sempre.

Na prática, isso vira uma ordem, que pesa mais nos casos de mais desgaste. Quando a questão é só cor, o clareamento vem primeiro, sem desgastar nada — prolongado, na tetraciclina; interno, no dente escurecido depois do canal, quando a estrutura ainda é boa. Nas manchas brancas, inclusive as de fluorose e hipomineralização, a infiltração resinosa costuma vir antes de qualquer cerâmica, também sem desgaste. Há casos em que a indicação é a resina composta.

A faceta entra quando esses caminhos não alcançam o que o caso pede — não antes.

Antes do preparo, vem o teste: o desenho do novo sorriso vira um modelo impresso em 3D, que o paciente experimenta na boca. Leva para casa, discute, volta atrás se quiser.

Quando a faceta não é indicada

Boca sem saúde. Gengiva inflamada ou cárie ativa são tratadas antes.

Bruxismo sem controle. Apertar ou ranger os dentes com força sobrecarrega a faceta. O bruxismo entra no plano antes, e a placa oclusal costuma proteger o trabalho depois.

Quando o problema não é de superfície. Desalinhamento grande é assunto de ortodontia; dente muito destruído pede restauração cerâmica, que reconstrói toda a coroa do dente.

Perguntas frequentes

Precisa desgastar o dente para colocar lente de contato dental?

Quase sempre, sim: algum preparo é preciso, para definir o espaço da cerâmica e preservar a saúde da gengiva. O quanto depende do dente. Quando falta volume, pelo desgaste do tempo, por uma forma menor ou pela erosão, o preparo é pequeno, e esse é o caminho na maior parte dos casos que atendemos. Quando o dente é escurecido ou manchado por dentro, ou está projetado para fora, o desgaste é maior. Sem preparo nenhum, só em casos raros, como dentes conoides e espaços entre os dentes.

Como fica o dente por baixo da lente de contato dental, e sem a lente?

O dente vivo não é desvitalizado para receber a lente: ela fica cimentada por adesão sobre a face visível, e a margem, a junta entre os dois, pede higiene atenta e acompanhamento periódico. Sem a lente, o dente fica como o preparo o deixou: pouco ou muito, o esmalte removido não volta. Quanto foi preparado depende do ponto de partida de cada dente.

Dá para tirar a lente de contato dental?

Sim: a lente é removível e pode ser substituída. A broca não distingue cerâmica de cimento nem de esmalte: desgasta os três, sem separar onde a lente termina e o dente começa. O laser de érbio age no cimento e, nos estudos de laboratório, o esmalte sob a faceta ficou íntegro. A remoção a laser já foi feita na Casa Grimaldi. O que nenhum método recupera é o esmalte removido no preparo, quando houve preparo. Por isso a decisão é tomada com o modelo de teste na boca, e não no impulso.

A lente de contato dental cria cárie por baixo?

A cerâmica não desenvolve cárie nem ataca o que está embaixo, e o dente não fica "abafado" sob ela. A cárie pode aparecer no dente, ao redor da margem, se a higiene falhar — exatamente como aconteceria sem a faceta. O cuidado é o mesmo de sempre, com atenção redobrada à junta.

Dói colocar lente de contato dental?

Quando há preparo, ele é feito sob anestesia, e o desconforto costuma ser pequeno. Sensibilidade temporária à temperatura pode aparecer nos primeiros dias em parte dos casos. Cada pessoa responde de um jeito, e isso é conversado antes.

O próximo passo

Na avaliação, o Dr. Grimaldi faz o escaneamento e mostra em tela o que o seu caso comporta — inclusive quando a faceta não é o melhor caminho para você.