Este é o relato de um caso da casa: por que lentes sem defeito aparente precisaram ser trocadas, como foram retiradas com laser de érbio e como estão cinco anos depois.

O que a paciente tinha

Eram dez lentes de cerâmica nos dentes de cima, instaladas havia dois a três anos. Estavam íntegras: nenhuma lasca, nenhuma mancha, nada que sugerisse troca.

Mas tinham volume em excesso para aqueles dentes. O alimento ficava preso entre eles, e a paciente não conseguia limpar a região logo abaixo da gengiva. Ali se formava biofilme, a placa bacteriana, e a gengiva sangrava. As lentes também apertavam as papilas, a gengiva entre um dente e outro, e atrapalhavam a circulação ali.

Sorriso em close, de frente, com as lentes de contato dental antigas, volumosas, nos dentes superiores, antes da troca
Antes da troca: lentes com volume em excesso, que prendiam alimento e apertavam a gengiva entre os dentes. Dr. José Grimaldi — CRO/SC 8825

O único sinal era a gengiva

Num caso assim, as lentes não mostram nada. O único sinal de que algo estava errado era a gengiva, e a paciente se culpava por não usar o fio dental.

Depois da limpeza, o Dr. Grimaldi pediu que ela passasse o fio todos os dias. Em cerca de 15 dias, a gengiva deveria responder, se a forma dos dentes permitisse a higiene. Não respondeu.

Com o passar dos meses, mesmo com o fio todos os dias, a gengiva nunca ficou saudável. Ela se convenceu de que precisava trocar as lentes. Veio o mau hálito, e nas consultas a equipe mostrava a ela o alimento preso entre os dentes. No fim daquele ano, ela acordou com a gengiva sangrando sozinha e mandou uma foto à clínica pelo WhatsApp: algo estava muito errado.

O planejamento

Vieram a tomografia e as fotografias. A paciente contava que os dentes não tinham recebido preparo antes das lentes, e a tomografia confirmou, o que facilitou bastante o planejamento.

O plano teve três tempos: retirar as dez lentes com laser de érbio; esperar a gengiva e as papilas se reacomodarem, o que levou cerca de 45 a 60 dias; e só então moldar os dentes, que seguiram para o laboratório fazer o enceramento, o ensaio do novo formato em cera.

A remoção com laser de érbio

Para a remoção, a clínica contratou um laser de érbio. A luz atravessa a cerâmica e é absorvida pelo cimento, que perde a aderência, e a lente se solta: o laser age no cimento, não no dente (como a lente é retirada).

As dez lentes saíram com o laser, em cerca de uma hora a uma hora e meia. Foi uma sessão tranquila, e o esmalte ficou intacto.

Dedos com luva segurando uma lente de contato dental que se solta do incisivo central superior durante a remoção com laser
A remoção com laser de érbio: o laser age no cimento e a lente se solta do dente. Dr. José Grimaldi — CRO/SC 8825

Cinco anos depois

Na época, a Casa Grimaldi trabalhava com laboratório externo, e as novas lentes de porcelana foram feitas por ele. Hoje, cinco anos depois, o que se vê mostra o peso do trabalho clínico: as lentes seguem bem adaptadas, com um trabalho artístico muito bonito, e a gengiva está saudável, sem sangramento. Cinco anos são o relato deste caso, não um prazo.

Sorriso em close, de perfil, com lentes de porcelana nos dentes superiores cinco anos depois da troca
Cinco anos depois: as lentes de porcelana seguem adaptadas e a gengiva, saudável. Dr. José Grimaldi — CRO/SC 8825

Hoje, a Casa Grimaldi produz a cerâmica dentro da clínica, no fluxo digital completo.

O que este caso ensina

A primeira lição, para o Dr. Grimaldi: o laser de érbio é uma alternativa que vale muito a pena para quem quer remover as lentes com segurança, sem que a retirada acrescente preparo aos dentes. Neste caso, o esmalte ficou intacto.

A segunda: gengiva que sangra e alimento que fica preso não são detalhe. Podem causar danos importantes aos dentes e pesam também no emocional de quem convive com eles.

Gengiva que recuou e deixou a raiz à mostra é outra conversa: veja se a gengiva retraída volta ao normal.

Perguntas frequentes

Lente de contato dental pode fazer a gengiva sangrar?

Não deveria. O sangramento vem de um problema de higiene, e às vezes esse problema não é falta de cuidado: é a lente com formato incorreto ou volume em excesso, que impede a higiene da região. O alimento fica preso, forma-se biofilme e, em consequência, vem a inflamação, e a gengiva sangra. No caso deste relato, as lentes estavam íntegras, e o único sinal era a gengiva.

Lente de contato dental íntegra pode precisar de troca?

Sim, especialmente quando a forma dos dentes não agrada o paciente ou atrapalha a higiene. Um sinal: com o fio dental todos os dias, a gengiva deveria responder em cerca de 15 dias, se a forma dos dentes permitir a higiene. Lentes que descolam com frequência, mesmo íntegras, também indicam um problema que precisa ser resolvido. Nesses casos, vale uma avaliação.

Depois de retirar as lentes de contato dental, a gengiva precisa de um tempo?

No caso deste relato, sim: cerca de 45 a 60 dias, para a gengiva e as papilas se reacomodarem antes da moldagem das novas lentes. O tempo de cada caso sai do exame.

O próximo passo

Na avaliação, o Dr. Grimaldi examina as lentes, a gengiva e a higiene, e mostra o que o seu caso pede.